terça-feira, 6 de abril de 2010

Três pontinhos

Eu sempre estive sozinha. Não existem parênteses em minha vida afetiva, exceções às quais eu possa me apegar quando sentir o vazio chegar. Não existem memórias realmente válidas, de sentimentos verdadeiros e duradouros ou de momentos em que eu realmente eu não estive Sozinha. A solidão me acompanha, parece ser a protagonista da minha história. Agora ela já é da família, tenho tanta intimidade com ela quanto tenho com meu familiar mais próximo, talvez até mais... porque quando eu não quero falar nada, ela me preenche, me acompanha, dá algum sentido ao momento vazio, mesmo que seja um sentido totalmente solitário da vida.
Acho que já perdi até mesmo a habilidade de falar da solidão, já não acho mais as palavras, todas que saem da minha boca nas vãs tentativas que faço de me explicar, parecem batidas, repetidas, clichês que me incomodam mais do que guardar tudo dentro de mim. Deve ser isso que se sente quando já não se sabe o que quer; de tanto o ‘querer intensamente’ insistir em querer, querer e querer, ele hoje se sente profundamente confuso e não sabe mais o que querer, nem sabe se ainda quer querer alguma coisa.
Talvez a solidão seja um vazio válido. Talvez nem seja um vazio, talvez seja apenas mais uma convenção, uma idéia pré-concebida. Talvez nunca se esteja de fato sozinho, talvez seja tudo questão de consciência, de sentimento. Talvez a solidão seja, na verdade, o que há de mais sólido e seguro nessa vida. Ou não. Tudo o que sei é que foi tudo o que eu já experimentei nessa vida. Portanto, independente das camuflagens de palavras e do teor da conversa, é só do que sei falar.

Um comentário:

Lia disse...

o que é seu já está decidido.
e eu acabei de lhe dizer, eu siiinto
que vc tem essa pessoa pra ti e que não vai demorar!
beijo